A Primavera Carioca é agora!

A palavra Crise, no latim Crisis, significava “momento de decisão, de mudança súbita”. E como temos ouvido falar nessa palavra nos últimos tempos. A crise econômica, social, política e ambiental que vivemos, cada uma com sua particularidade (não quero correr o risco de ser generalista), são facetas do mesmo fenômeno: a crise sistêmica do nosso modelo civilizatório. Quero dizer que a forma como a sociedade se estrutura e se perpetua, acaba por esgotar as possibilidades da vida humana em todas essas dimensões apontadas. Para mostrar que não estamos falando de sandices teóricas, assuntos etéreos em escala inalcançável, pensem nas últimas grandes manifestações populares que aconteceram no Rio de Janeiro. Bombeiros, profissionais da educação e operários do COMPERJ, por exemplo, além de terem em comum a luta por melhores salários e condições de trabalho, travam uma batalha, sobretudo por dignidade. Isso por que as condições mínimas de reprodução da vida estão ameaçadas, profissionais com funções sociais importantes são desvalorizados, aviltados pelo escárnio com dinheiro público que contrasta com as negativas de reajustes salariais. A sociedade de maneira geral, não garante a tão merecida dignidade da classe trabalhadora. Essa é uma crise que tem um efeito contundente no cotidiano dos trabalhadores, definitivamente é uma crise humana.

Pensem como a existência humana está degrada na sociedade em que vivemos. Achamos natural funcionarmos nos ritmos comerciais e empresarias, vivemos um tempo que não é o nosso. O homem meramente como um recurso, é uma concepção que não é óbvia do ponto de vista de qualquer outra sociedade que não seja a capitalista. Como se não bastasse, sofremos com a distorção completa de valores da vida em sociedade, onde a competição é incentivada em demasia e o individualismo é valorizado. Produtora de fobias, intolerâncias, preconceitos e neuroses. Pensem em como toda essa imposição deteriorou a essência humana, como isso afeta diretamente a forma como nos relacionamos com outras pessoas, sempre com desconfiança, com um pé atrás. É certo que podemos ter perspectivas melhores, mas precisamos ter clareza de que é necessário um questionamento profundo de toda a base que mantém essa sociedade.

Toda essa longa introdução só para dizer que precisamos agarrar as chances que temos de começar uma transformação. Se crise é também o momento de uma mudança súbita, no Rio de Janeiro essa alternativa está posta. Marcelo Freixo é o sopro de esperança – que há muito tempo não víamos – para uma cidade mais justa, que proporcione uma vida melhor para os seus habitantes. Não por acaso os dois primeiros parágrafos desse texto, abordam assuntos como a luta por dignidade e a crise humana que vive nossa sociedade. Marcelo Freixo é um militante histórico dos direitos humanos, esses são temas recorrentes em quase todas as suas falas e também na sua atuação política, sua preocupação em discutir uma cidade que seja boa para morar é constante. Uma voz destoante é fundamental para não cairmos na onda das falsas verdades que propagam o prefeito e a mídia local. O Rio de Janeiro vive um grande momento, onde muito se investe por aqui, mas como pode tantos bilhões circulando e isso não garantir uma cidade mais digna para as pessoas? Esse simples questionamento diz muito sobre a visão que o Marcelo Freixo tem sobre a cidade.

Como principal nome que surgiu no cenário da política carioca nos últimos anos, a disputa para prefeitura será dura (uma máquina pesada do adversário e uma coligação de quase 20 partidos), mas será real. Marcelo Freixo tem força e apelo nos movimentos sociais, na juventude, na classe artística e com intelectuais. E a sua campanha já ganha ares de movimento. Como gosto de falar é um Rio melhor que está em jogo. Tantos já perceberam que é preciso refutar esse poder público que incentiva e promove o distanciamento social e espacial entre as classes, que elege como inimigo número um da sociedade o pobre, negro e morador de favela. Esse estereótipo de vilão é desprovido de todo e qualquer serviço público, só conhece o Estado através da violência. Vivem sempre sobre o jugo de um poder impiedoso, seja ele do tráfico, das milícias ou do próprio Estado. Quantas fortalezas na Barra da Tijuca já não foram vendidas com esse discurso do medo?  É preciso coibir a especulação imobiliária. Não se pode ter receio de uma gestão mais democrática e participativa.

De todas as coisas importantes que o Marcelo fala, talvez a que mais sensibilize, é quando ele diz que quer disputar a vida de cada menino e menina nessa cidade. De fato o projeto para eles é o da reclusão e o da vigilância. Fica claro de que o Rio de Janeiro não pode esperar, essas pessoas não podem esperar. O movimento que começa a crescer movido pela necessidade de transformações urgentes é um grande feito inicial. É certo falar que independente do resultado eleitoral, o Rio de Janeiro não será mais o mesmo. Parece que a Primavera Carioca já começou!

Marcio Ornelas

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Um comentário sobre “A Primavera Carioca é agora!

  1. O poder é violento, corrupto, mau e totalitário. No entanto, é uma força da qual não se pode fugir. Está na natureza, pairando como um fantasma, implacável, nos assombrando dia e noite. Há inimigos por toda a parte. Antes de haver sociedade organizada, havia predadores, fome, doenças, cataclismas. A lista depois foi aumentando: guerras, epidemias, miséria, escravidão.

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