A juventude é o caminho

egito juventudeIndependente do balanço que pode ser feito sobre as eleições municipais de 2012, se a oposição se fortaleceu ou não, se foi a esquerda ou a direita que mais avançou, se as posições fundamentalistas ecoaram com mais força, uma coisa é certa: a participação da juventude na política cresceu.

Esse fato significa muito e merece o texto. Não só a juventude, mas a população como um todo, andou afastada da vida política. Não me refiro só ao processo eleitoral, mas a política que está no cotidiano. Essa esfera da vida em sociedade estava negligenciada, era tratada com absoluta indiferença. No Brasil estamos falando de mais de uma década de um cenário de absoluta pasmaceira. A aparente estabilidade econômica no país, a própria naturalização das dificuldades da sociedade capitalista e a solidificação dos seus ideais, cooptação de movimentos sociais, enfim, muitos são os motivos e não é objetivo do texto esmiuçá-los.

Mas existe uma retomada efervescente da participação popular. E o protagonismo das grandes transformações que temos visto no mundo está nas mãos da juventude. É claro que a forte crise na qual o capitalismo está submerso favorece o contexto de mobilização. De maneira simplista, as condições “naturais” de dificuldade se acentuam de maneira tão abrupta, aceleradas por opções políticas, que não é mais possível a internalização para a população. O que chama atenção é que eventos como toda a Primavera Árabe, ou as imensas manifestações na Grécia, Espanha, Chile e outros países, tem acelerado a vontade da população de tomar os rumos da história em países onde a crise ainda não recai de maneira aguda.

Falo especificamente do nosso querido país. Um evento corriqueiro e banal como as eleições, se transformou na grande oportunidade de participar da política e de construir um movimento muito mais amplo do que o processo eleitoral. A juventude impulsionou as campanhas mais à esquerda que tivemos por esse país afora, com um destaque óbvio ao belíssimo movimento que virou a candidatura de Marcelo Freixo no Rio de Janeiro. Um crescimento quantitativo e qualitativo. Num mar de despolitização, os ventos que sopraram de outros continentes chegaram até aqui. A juventude brasileira começa a ser inspirada pela possibilidade de ser protagonista em algo que pode mudar a vida das pessoas, mas não só a utopia, as vitórias concretas no mundo Árabe indicam que não só é possível, como é fundamental assumir a tarefa de ser polo de resistência aos absurdos que vivenciamos todos os dias. E quem melhor que a juventude para iniciar tal trabalho?

O que vimos com essa eleição é um início promissor de uma juventude que tem preocupação com gerações futuras, que quer formar e ser formada, que enxerga a necessidade de refletir os caminhos para uma sociedade mais justa, mas que alinha o pensar e a prática. Percebe que a cobrança, a luta em seu sentido mais geral, não é intercalada a cada dois anos. Que o objetivo é a mudança radical da sociedade, mas que é necessário travar essa batalha em todos os campos. No contexto atual, não haverá transformações que não passem pelas mãos de uma juventude que compreenda a sua importância. Precisamos dela!

Marcio Ornelas

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5 comentários sobre “A juventude é o caminho

  1. Concordo contigo… a impressão é de mais jovens estão se interessando pela política, de forma ativa. Embora ainda não seja uma maioria, é significativa.

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